Manuscrito: Fernanda Pompeu
Manuscrito: Fernanda Pompeu

Last updated on março 16th, 2018 at 03:52 pm

Clareza é o fiel da balança do texto. De pouca adianta ter ideias brilhantes, se na hora da comunicação escrita, elas aparecem confusas. É o bom ser senhor ou senhora de um assunto. Mas esse domínio não garante que o texto comunicativo. A gente sabe que a grande arte da escrita – impressa ou digital – é comunicar com clareza.

Tem até uma máxima que diz que TRÊS são as propriedades da boa escrita:
1 clareza
2 clareza
3 clareza

Mas a gente também sabe que escrever com clareza não é nada fácil. Exige muito treino, muito suor nas teclas e despojamento. Oi? Sim, para escrever com clareza é preciso despojar-se da verborragia, das literatices e da vaidade de querer ser mais inteligente do que o texto.

O olho do leitor não é penico.

O olho é uma ferramenta nobre. Por ela passam palavras, imagens, paisagens. A vida. Então a história de encontrar a clareza é mesmo um compromisso sério entre o escriba e a expressão.

Agora mesmo, enquanto escrevo este post, me pergunto: Estou sendo clara? A mensagem chegará tal qual estou imaginando? A resposta é luta teimosa, palavra a palavra, post a post.

Até grandes mestres lutam pela clareza do texto

Hoje de manhã dei de cara com uma declaração do Jorge Luís Borges (1899-1986), um monstro de contista. Autor do O Aleph, A Biblioteca de Babel, Pierre Menard, autor do Quixote, O Jardim dos caminhos que se bifurcam – entre outros ouros.

Ao ler a declaração do mestre hermano-universal me senti mais apaziguada. Entendi que, mesmo para ele, a clareza é sempre procura:

Jorge Luís Borges:
“A medida que o tempo passa para o escritor, sente-se que as ideias que se tem – boas ou más – devem ser expressas claramente. Porque se você tem uma ideia, tem que tentar passar essa ideia, ou essa emoção, ou essa atmosfera de forma clara para o leitor.”

Então, vamos nós afinar o coro da clareza! Não é coisa que se consiga de cara. Há que treinar. Há que se perder como o próprio Borges se perdia pelos canais de Veneza. Mas antes mesmo da beleza, da elegância, da profundidade necessitamos da clareza.

Brinde: entrevista no You Tube com Borges

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