8 TOQUES para ESCREVER MELHOR , em vídeo e texto


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Aqui é o seu Canal de Vídeos Acelera Texto, cujo propósito é ensinar à distância redação e português para todos.
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Eu sou a Fernanda Pompeu.
Vamos aos 8 TOQUES PARA ESCREVER MELHOR, em vídeo e texto.

Assista ao vídeo

 

Leia a Transcrição:

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Observe a gramática

A base da língua escrita – seja ela qual for – é a gramática. Eu gosto de definir gramática como caixa de ferramentas do leitor e do redator. Uso a palavra redator para todos os que escrevem em qualquer gênero de ficção e de não ficção. Para roteiristas também.

Mais do que nomes e classificações, o que interessa na gramática é o seu uso. Saber como usar, a favor da comunicação, o verbo, o advérbio, preposições, locuções, pontuação, hifens etc. Saber usar com parcimônia os adjetivos. Compreender que a vírgula é a nossa aliada e não inimiga.

Ou seja, se apropriar dos incríveis recursos da semântica (o conteúdo) e da sintaxe (conexão dos conteúdos).
O marceneiro, antes de fazer os móveis que estão na imaginação de seus clientes, ele aprende a usar as ferramentas. Ele aprendeu a cortar e a colar.

Com o redator não é diferente. Para fazer sua imaginação se concretizar na cabeça e na sensibilidade do leitor, você precisa treinar o uso das ferramentas da língua portuguesa. De nada adianta fazer imersões no inglês e negligenciar o português.

Não dá para escrever desprezando a gramática. Ela é o chão, o contrapiso da casa do texto. Então, sem chororô, estude português.

 

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Seja claro

Existe um slogan publicitário, hoje clássico, que diz: 9 entre 10 estrelas usam Lux. Do mesmo modo, 9 entre 10 redatores querem ser lidos. A condição sine qua non para ser lido é produzir mensagens claras. Clareza é a máxima musa. A gente escreve azul e fica muito triste se o leitor entender verde. Almejar a clareza é meta óbvia. A questão é quantos redatores de fato conseguem. Vamos dar toques de clareza:

Uma ideia por parágrafo

Não tente enfiar o universo em um único parágrafo.
A mente humana gosta de memorizar em progressão. Uma coisa, depois outra, depois outra.
Se você estiver descrevendo Paris, não embole a Torre Eiffel, a Notre Dame, o Jardim de Luxemburgo, rio Sena em um único parágrafo.
É como no teatro, deixe cada personagem falar por vez.

Dê preferência a frases curtas

O ponto final é grande amigo do redator. E do leitor também. Veja bem: eu não estou dizendo que é proibido escrever frases longas. Na escrita nada é proibido. Tudo poder ser feito, testado, experimentado. Porém frases longas exigem redatores habilidosos e leitores preparados. Pelo sim e pelo não, em nome da clareza, prefira escrever curto.

 Uma boa dose de didatismo

O leitor não é obrigado a saber o que você sabe. Ele não é obrigado a saber quantos países há no continente africano.
Ou que a sigla DST significa doença sexualmente transmissível. No entanto, seja didático sem ser chato, sem ser professoral.
Tente pôr informações adicionais da maneira mais natural possível.

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Escreva simples 

Vixe. Aqui a coisa pega. Muita gente tem a crença que escrever bem é escrever complicado, rebuscado. Isto é, abusar das palavras raras e de frases subordinadas. Enfim, escrever parágrafos quilométricos. Mas é todo o contrário: escrever bem é escrever simples. Pão, pão, queijo, queijo. De vez em quando, uma colher de manjar.

 Toda escrita é comunicação. Antes de mais nada, um redator é um comunicador. Redator que não comunica – que não torna comum sua intenção – irá fracassar na página e na tela. Lembre-se que você escreve para simplificar a vida do leitor. O redator habilidoso consegue pegar o assunto mais difícil da Terra e torná-lo fácil para o leitor.

Agora atenção: escrever simples não é redigir desleixado, largadão, saltando palavras, errando conexões, abreviando sem cerimônia. É trabalhoso escrever simples. Exige forte treino, muita leitura e muita escritura. Exige que você domine a caneta ou o teclado.

Também exige comportamento pessoal: o leitor não está interessado em quanto o redator é inteligente. Ele quer saborear um texto inteligente, quer conteúdos com valor. A simplicidade também nos ensina: a estrela da escrita não é o autor ou a autora, a estrela é o texto.

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Comece, desenvolva, termine

Não importa o tamanho. 240 palavras ou 240 mil, 240 milhões de palavras, toda mensagem segue três mandamentos: começo, meio, fim. O leitor precisa identificar um início, acompanhar um desenvolvimento, encontrar uma conclusão. Daí a importância de você dizer logo de cara: sobre o que irá falar, como está falando. E finalmente por que falou ou que falou. A missão final do redator é entregar sentidos.

Também não pule etapas essenciais. Pressa não combina com escrita. O que está dentro da sua cabeça precisa de um esforço organizado para passar para a cabeça e para a sensibilidade do leitor. Ter começo, meio e fim serve para todos os canais.

Algumas mensagens que recebo no meu WhatsApp e simplesmente eu não compreendo. Tenho que escrever de volta: Não entendi o que você está dizendo. 90% das vezes essa falha comunicativa ocorre porque o emissor da mensagem pulou algo importante. Uma informação que estava na cabeça dele, mas que por preguiça ou por mau uso das ferramentas da língua, ele não usou. E, portanto, o destinatário não entendeu. Então, releia o que você escreveu e cheque se sua mensagem tem começo, meio e fim.

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Dê o recado

Toda escrita é um recado, independentemente do assunto. Seu texto pode ser sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e a China. Pode ser sobre a ameaça do agronegócio em cima do cerrado brasileiro. Coisa séria.

Seu texto também pode ser a memória do primeiro beijo. Ou a descrição de uma rã saltando no brejo. Não importam o tamanho ou a relevância do assunto, quando escrevemos estamos dando um recado.

Recado bom é aquele que é pronto e completamente compreendido pelo leitor – o destinatário. Sua mensagem tem que chegar nele. Tem que levá-lo a uma ação: compre um ingresso para mim. Ou a uma reflexão: quem fala o tempo todo pouco escuta.

Há recados que nos fazem ficar indignados, outros nos fazem sonhar. Decidir qual será a provável reação do leitor está nas mãos do redator. Não erre na sua intenção.

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Reescreva 

Reescrever não é escrever de novo. Não é deletar o que você fez e iniciar outro texto. Reescrever é trabalhar em cima do que já foi escrito em cima da primeira versão. É melhorar.

 Vamos lá: dicas para a hora de reescrever 

A maioria dos redatores habilidosos afirma que escrever é cortar. E é. Nossa tendência é escrever mais do que o necessário. Talvez esse escrever mais tenha a influência da fala. Porque quando falamos nós reiteramos muito. Vamos e voltamos no assunto.

Mas a escrita é palavra cortada e ajustada. Corte palavras repetidas quando muito próximas. Ou as repita propositalmente quando o objetivo for a ênfase.

Vigie de perto os gerúndios, por exemplo, em vez de vou estar contando para você, prefira vou contar para você. Melhor ainda contarei para você.

Controle os adjetivos. Vai descrever? Não precisa enfileirar 3 adjetivos para cada substantivo. Não rebusque, mostre!

Outra dica: costure. A palavra texto vem de tecido. Portanto, escrever é tecer palavras. Remaneje palavras e frases. Aquela frase que está no meio, será que ficaria melhor no começo? Será que o parágrafo final não é o inicial?

Em suma, o momento da reescrita é o momento de executar o seu verdadeiro talento de redator. Alguém já disse com propriedade: Um escritor pode ser fraco quando escreve, mas deve ser forte quando reescreve.

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Revise

Fez tudo direitinho. Escreveu de forma clara, coerente, concisa, elegante. Já dá pra postar? Não! Falta a última etapa: revisar.

Preste atenção na ortografia. Exceção é com c cedilha, não com dois ss.

Atente para a concordância verbal e nominal. Não perca o sujeito e o verbo de vista. Lembre-se: sempre há alguém fazendo alguma coisa.

Cheque as crases, consulte dicionários (há vários online). Pense nas vírgulas.

Há um ditado (eu adoro ditados) que diz que nós ganhamos ou perdemos nos detalhes. Revisar é caçar detalhes. E quando tudo estiver terminado, leia seu texto em voz alta.

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Persevere

O último toque para escrever melhor é: tenha perseverança. Escrever tem processo e procedimentos. E também há os críticos e atualmente, com verve, os detratores. Gente que sempre verá um defeito. Você enfrentará tudo isso.

Mas também é verdade que ninguém escreve por masoquismo. Terminar o texto e perceber que ele ficou na medida da nossa intenção e redondinho é prazer incomensurável.

Valeu! Abraço.

 

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