Arte Carvall
Arte Carvall

Last updated on janeiro 16th, 2019 at 10:23 am

Creio que mais do que sentir vergonha, a gente tem medo da postagem autoral por medo da rejeição. Esse sentimento que nos acompanha do berço ao túmulo. É muito chato ser rejeitado. Mas mais chato ainda é deixarmos de fazer as coisas que precisam ser feitas.

Você escreveu um texto e o considerou bacana. Ele tem uma ideia, uma memória, uma argumentação. Mas você fica em dúvida: Será que as pessoas vão gostar ou será que elas vão achar fraquinho?

Essa pergunta é muito antiga. Ela acompanhou escritores de várias épocas. Tenho certeza que atormentou o Dostoiévski (1821-1881), a Virginia Woolf (1882-1941), o Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Mas eles não hesitaram em publicar.

Tem também o caso dramático do Franz Kafka (1883-1924) – de quem herdamos o adjetivo kafkiano. Pois o autor de A Metamorfose pediu ao amigo Max Brod que, após a sua morte, queimasse os originais de livros como O Processo, O Castelo, América, entre outros. Felizmente o amigo não fez caso do pedido.

Será que as pessoas vão gostar? Esse temor segue acompanhado os postadores de textos digitais. Você faz a postagem, escolhe uma foto bacana e fica esperando as reações. Likes, comentários, compartilhamentos.

Você treme ao pensar: Se não houver reação alguma? Pior ainda: Se os comentários forem negativos? Essas duas possibilidades podem ocorrer. Faz parte do jogo da comunicação.

Todo post – pequeno ou grande – precisa de leitores para existir. É a chamada cadeia produtiva do texto digital: escrever, postar, compartilhar, receber e responder comentários.

Às vezes dá certo, Às vezes não dá. Todo escriba terá uma audiência flutuante. Porque da mesma maneira que Messi e Neymar – por mais craques que sejam – não farão gols em todas as partidas.

Então haverá postagens sem sucesso. Mas, acredite, haverá outras com sucesso. Quando você perceber isso perderá o medo de compartilhar seus posts autorais. Pois vai perceber que esse é um jogo. E, para o bem ou para o mal, ele vicia.

A internet colaborativa – que tem menos de 20 anos – abriu a incrível possibilidade de sermos autores, editores, distribuidores de nossa produção. Nunca os humanos passaram por essa experiência.

Nós somos, num certo sentido, ratinhos de laboratório. Mas ao mesmo tempo também somos os cientistas do laboratório. Uma oportunidade e tanto, né?

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