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Last updated on novembro 10th, 2019 at 10:13 am

As chamadas figuras de linguagem são tesouros da língua que tornam a comunicação falada ou escrita mais tônica, mais colorida, mais literária.
Há 4 gavetinhas para as Figuras de Linguagem.
São elas:
Figuras de Palavra ou Semânticas
Figuras de Pensamento
Figuras de Sintaxe ou Construção
Figuras de Som ou Sonoras

Se preferir ouvir, CLIQUE AQUI


Vamos começar pelas Figuras sonoras.

Para que servem as figuras sonoras?
Para marcar um ritmo expressivo na frase. Para criar molejo, proximidade e graça.

Para a maior parte das pessoas, a palavra ritmo leva à música ou à dança.

Mas o ritmo está presente em tudo, a começar pela batida do coração pum, pum, pum.

Ritmo é algo que a gente gosta de ver em um texto. Nós, os seres vivos, adoramos movimento.

Quando dizemos que alguma coisa tem ritmo, estamos dizendo que ela tem movimento.

As figuras sonoras dão uma “quebrada” na frase. Elas têm algo infantil (no bom sentido).

 

1
ALITERAÇÃO

é a repetição da mesma consoante em palavras próximas.

Exemplos:
“que a Brisa do Brasil Beija e Balança”
Repare na Repetição da consoante B nesse verso do grande poeta baiano Castro Alves:
Brisa
Brasil
Beija
Balança

Quem não se lembra do?
O Rato Roeu a Roupa do Rei de Roma.
Repetição da consoante R

Ou do trava-língua
Três
tristes
tigres

Tente falar rápido: três tristes tigres
Repetição da consoante R

Agora uns exemplos de Aliteração que eu criei:
Ricardinho o riquinho rasga a roupa recém-comprada.
Repetição do R.

O sapo silente submerge no brejo sem som.
Repetição do S.

Vozes vazias de veias vãs vagueiam por vulcões vizinhos do Atacama.
Repetição do V.

Uma dica: aproveite para criar seus próprios exemplos. É uma excelente maneira de fixar o conteúdo.

Aliteração é uma figura de som porque brinca com nossos ouvidos.
Vamos lembrar: todo mundo lê e escreve com os olhos e com os ouvidos.
Muito do prazer do texto vem da candência das frases. Tanto que, muitas vezes, a gente fala:
Ah! Este texto está duro… Ou, ah! Este texto flui… como as águas de um rio.

2
ASSONÂNCIA

Assonância é um acordo, uma harmonia de sons – sempre atrás de um efeito, o de causar uma sensação divertida, gostosa no leitor ou ouvinte.
Trata-se da repetição de vogais (a, e, i, o, u) iguais ou semelhantes.

Exemplos:
A arte é metade artifício, metade alma com asas assanhadas.
Repetição do vogal E e da vogal A.

Vamos de Maluco Beleza (Raul Seixas):
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Aqui a repetição é das vogais O e A.

Atente neste parágrafo anônimo delicioso:
O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem.
O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto o tempo tem.
Assonância com as vogais E e O.

Mas – reparem – nesse exemplo, encontramos também a figura de som Aliteração com a repetição das consoantes T e M.
Então é possível combinar figuras de linguagem?
É claro que sim.

Aqui cabe um parêntesis: muita gente difama a língua portuguesa dizendo que é uma língua difícil.
Que é uma língua cheia de regras, catracas, punições.
Isso é mentira!
O português é idioma riquíssimo em possibilidades e dá muitas oportunidades de expressão. Fecha parêntesis.

 

3
PARANOMÁSIA

É a reprodução de sons semelhantes em palavras com significados diferentes.

Calma, o grande poeta gaúcho Mario Quintana vai nos socorrer:
Repare nesses memoráveis versos:
“Esses que atravancam o meu caminho
Eles passarão, eu passarinho.

Paranomásia: passarão – passarinho.
Sons semelhantes, significados diferentes.

Há paranomásia na letra da canção de Almir Sater e Renato Teixeira:
“Conhecer as manhas e as manhãs.
O sabor das massas e das maçãs.”

Também em:
Missão comprida e cumprida.
Comprida: longa
Cumprida: finalizada

Sons semelhantes, significados diferentes.

Outro exemplo:
O pássaro tocou na terra com tanta elegância que pareceu um pouso posado.
pouso = aterrissagem
posado = que faz pose para ficar bem na foto

4
ONOMATOPEIA

A onomatopeia é a celebridade das figuras de som. Todo mundo gosta dela, porque todo mundo usa.

Quer ver?
Tic-tac, tic-tac fazia o relógio de parede da casa da minha avó na Tijuca.

De longe dava para ouvir o blem, blem, blem dos sinos da Catedral da Sé.

Ploft! Caiu o cáqui no chão da cozinha.

Bum! Explodiam bombas no filme.

Bi-bi, o carro buzinou para a moça.

Contou as moedas tintim por tintim.

Claro está que a figura onomatopeia é muito usada nas histórias em quadrinhos, cartoons, narrativas da literatura infantil.
smack – estala um beijo.
Bang-bang – tiros.
Sniff sniff – choro.

 Ficou fácil, né?

Onomatopeia é a representação (imitação) gráfica de um som.
Por certo, não é algo preciso, mas bem aproximado.

Com os bichos:
Miau para gatos.
Auau para cachorros.
Piu-piu para passarinhos.
Cocorococó para galos e galinhas.
E zoológico que segue.

Agora vamos enobrecer a onomatopeia citando uma passagem do parágrafo inicial do livro
Perto do Coração Selvagem da Clarice Lispector – uma das maiores escritoras da língua portuguesa.
“A máquina do papai batia tac-tac… tac-tac-tac…
O relógio acordou em tin-dlen em poeira.
O silêncio arrastou-se zzzzzz.”

Fazendo um resumo das 4 figuras sonoras:

Aliteração: repetição da mesma consoante em palavras próximas:
o rato roeu a roupa do rei de Roma

Assonância: repetição de vogais iguais ou semelhantes
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa.

Paranomásia: palavras de sons semelhantes com significados diferentes:
eles passarão, eu passarinho.

Onomatopeia: Reprodução gráfica dos sons.
Auau, miau, bi-bi.

É isso!

Ouça os conteúdos Acelera Texto na Rádio Madalena

Leia também Figuras de Pensamento

 


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