Last updated on novembro 7th, 2018 at 12:04 pm

O legal de ser entrevistada é que melhoramos a definição do próprio trabalho. 

Ouça a entrevista sobre o Acelera Texto na Rádio Brasil Atual:

Entrevista

Transcrição do Áudio da Entrevista

Rádio Brasil Atual – E agora, no Jornal Brasil Atual, nós vamos falar da Língua Portuguesa, nós vamos falar sobre comunicação, as formas com que as pessoas podem aprimorar o uso da língua, da escrita para se comunicar melhor, para se fazer entender nestes tempos digitais. A gente vai conversar com a Fernanda Pompeu, que é educadora online de redação e português e também é responsável pelo site Acelera Texto. Olá, Fernanda. Tudo bem?

Fernanda – Tudo bom, Rafa.

Rádio Brasil Atual – Prazer em ter você aqui com a gente.

Fernanda – O prazer é meu. 

Rádio Brasil Atual – A Fernanda tem uma larga experiência na produção escrita. Enfim, é uma escritora, já participou de diversos projetos e agora se dedica a essa experiência de ser uma educadora online de redação e português. Como é que funciona isso? Que modernidade, Fernanda. O que é que traz de novo, ser uma educadora online de redação e português?

Fernanda – Quando eu digo educadora online, significa que as pessoas têm contato com os meus conteúdos – os conteúdos da língua portuguesa e da redação – pelos meios digitais. Eu, por exemplo, faço várias postagens. Eu tenho uma série que chama Rapidinhas do Português, onde eu vou colocando pequenas pílulas. Elas aparecem nas minhas redes sociais, eu faço vídeos no YouTube onde eu falo da crase, da vírgula.

Rádio Brasil Atual – O por quê?

Fernanda – O porque, que mulher diz obrigada e não diz obrigado. E também dicas de escrita. Sempre voltado para a ideia de que todos os interessados podem melhorar a sua escrita. Vamos dizer que é o propósito do Acelera Texto.

Rádio Brasil Atual – Hoje escrever para as redes sociais implica em uma nova forma de pensar e de colocar as suas ideias, diferente daquele tempo em que a gente escrevia carta à caneta?

Fernanda – Num certo sentido sim, porque quando você muda a tecnologia, você também acaba mudando a mensagem, vamos dizer. É um pouco diferente sim. Quando você vai escrever nas redes, primeiro você tem uma escrita que é mais imediata e mais fácil. Mais fácil do que quando você pegava a caneta e o papel. Agora, eu acho que a grande vantagem, o que é maravilhoso, na chamada escrita digital – que é a escrita por meio desses novos meios – é o fato de que todos podem fazer isso. Hoje todos podem escrever. Vou dar um exemplo rápido. Eu tenho sessenta e dois anos. Quando eu tinha vinte e poucos anos e eu queria escrever, eu escrevia. Agora para que alguém lesse o que eu estava escrevendo, eu tinha que editar. Eu tinha que ter uma editora. Ou seja, eu não era a dona da distribuição. Eu era só dona do conteúdo. Com as redes sociais, os blogs também, você além de ser o escritor, você também é o dono da distribuição. Eu acho que isso muda tudo. Porém, a base que é a língua é a mesma. Ou seja, não é por que é fácil hoje você escrever, você se comunicar, você distribuir o seu conteúdo, que você vai desprezar a língua. Ao contrário. Você tem que escrever cada vez melhor.

Rádio Brasil Atual – Eu entrei aqui no teu site, no Acelera Texto, e me chamou a atenção que você tem um vídeo em que você fala dos Sete Mitos da Escrita. Ou seja, as pessoas ainda temem aquele momento em que se expõem através das palavras. E você dá uma desmistificada nesses mitos. O mito do Dom. O mito da Inspiração. O da Maldição. O mito das Fortes Emoções. O mito da Perfeição. O da Exposição e o do Talento. Dá para você resumir esses 7 mitos, num conceito rápido, para os nossos ouvintes, que você expõe que todos nós temos a capacidade de escrever bem. Não, é?

Fernanda – Todos nós temos a capacidade de escrever. Esse escrever bem é um segundo momento. Todos nós temos a capacidade de escrever. Todos os que querem escrever, obviamente. A primeira coisa é a vontade. Todos os que têm vontade de escrever, é claro, são capazes de escrever. Somos capazes de escrever. Agora para escrever bem. Aí vem a palavra bem. Ou, eu prefiro, para escrever melhor, aí você vai ter um caminho.

Rádio Brasil Atual – O caminho passa pelo exercício?

Fernanda – Claro. Passa pela prática, passa pelo estudo, passa pela leitura. Eu vou fazer uma analogia. Eu quero jogar futebol. Sou uma menina ou um menino e quero jogar futebol. Bom, o que vai acontecer comigo? Eu vou entrar uma escolinha de futebol? Ou vou tentar jogar futebol todo sábado e todo domingo? Eu vou assistir aos jogos de futebol? Em suma, não basta eu querer jogar futebol. Como é que eu vou me transformar numa jogadora de futebol? Jogando, treinando, observando. A escrita é muito parecida. Eu creio que algumas pessoas têm a ilusão de que para escrever basta juntar as letras que formam palavras, palavras que formam frases, frases que formam parágrafos, e pronto. Eu escrevi. De fato. Tecnicamente, você escreveu. Mas a grande pergunta é: A sua mensagem chegou no leitor? Ela chegou em quem você estava querendo? As pessoas entenderam o que você escreveu? Porque hoje tem muito isso de você, às vezes, não entender. Muitas vezes, a pessoa escreve e você não entendeu.  Esse problema é de quem escreveu ou é de quem leu? Grande parte das vezes, o problema é de quem escreveu.

Rádio Brasil Atual – Certo.

Fernanda – É a comunicação. Você é um comunicador. Você sabe que comunicar, significa “tornar comum”. Então se você não conseguiu tornar comum a mensagem que está sendo produzida, não houve comunicação.

Rádio Brasil Atual – Dentro do teu site tem uma seção, eu acho bem interessante, que é Rádio Língua. Fala para a gente o que significa isso.

Fernanda – O Rádio Língua, como o nome já diz, ele trabalha com a ideia do áudio. A comunicação é feita em áudio e na verdade é uma seção de literatura. O primeiro projeto do Rádio Língua, que está no ar dentro do Site, é em cima do João Guimarães Rosa. Eu apenas facilitei. Quem é a dona desse conteúdo é a Regina Pereira – uma estudiosa e uma entusiasta do Guimarães Rosa. Ela foi revisora a vida inteira, alguém que gosta muito da língua portuguesa. E o que ela conta são as gênesis dos vários livros do Guimarães Rosa. Ela faz a leitura de trechos dos livros. Por exemplo, Grande Sertão Veredas. Ela traz histórias saborosas do Guimarães Rosa escrevendo o Grande Sertão. Na sequência, ela lê trechos do próprio Grande Sertão. Qual é a ideia? Isso vem de uma filosofia dentro do Acelera Texto e na qual eu acredito. Acredito muitíssimo que todas as pessoas, todos nós, temos níveis de necessidade de leitura. Temos um nível bem pragmático. Isso o Google ajuda muito: eu quero saber aonde comer um hambúrguer? Eu quero uma resposta bem simples: A Casa de Hambúrguer está a 200 metros de você. Eu quero comprar uma sandália havaiana, onde eu compro? Mas não se trata só disso. Muitas vezes nós precisamos ler para nos emocionar! E nada como a literatura para dar conta disso. Eu acho que nós, todas as pessoas, temos várias necessidades de leitura.

Rádio Brasil Atual – Vamos falar do site da Fernanda Pompeu que é o Acelera Texto. Aceleratexto.com.br

Fernanda – Isso.

Rádio Brasil Atual – Qual é o seu objetivo, Fernanda? É popularizar esses conceitos, ajudar as pessoas a perderem os seus temores, os seus medos e começarem a produzir as suas crônicas através das redes sociais, através da internet?

Fernanda – Exatamente. Não só as suas crônicas. Hoje eu acho que a escrita não precisa ser literária. Você não precisa escrever criando personagens. Por exemplo: eu vou dar uma opinião, aí não preciso criar nenhum personagem, o personagem sou eu mesma. Mas isso também pode ser muito bem escrito. Não é só estimular as pessoas para escrever sua crônica. Não precisa ser uma crônica. Pode ser também o vasto campo da não ficção. Pode ser algo que você não está dando um nome. Eu não sei o nome disso que eu estou escrevendo. Mas eu estou usando essa ferramenta, essa tecnologia para colocar o que eu sinto, o que eu acho, como é que eu quero influenciar, como é que eu vejo as coisas agora, como é que eu vejo o futuro. Ou seja, cada qual com o seu tema. Mas podendo se expressar, volto a dizer, de uma maneira comunicativa, de uma maneira coerente, coesa. É por isso que eu insisto tanto na gramática. Não é por que eu adore a gramática… Ou por ser professora de Português, nada disso. A gramática – fazendo uma analogia, eu gosto das analogias – a gramática é o chão da casa. A escrita é a casa e a gramática é o chão, é o piso. Se você não tiver o piso, você não consegue levantar as paredes. Se você tiver um bom piso, se você começar a ter domínio gramatical, você pode fazer a casa que você quiser. Ou seja, a escrita que você quiser. O gênero que você quiser. Mas você tem que ter a base. Essa base é que vai dar a liberdade para você arquitetar a sua história.

Rádio Brasil Atual  – Então fica o convite para todos os ouvintes que ficarem interessados escreverem para a Fernanda Pompeu, (fpompeu@uol.com.br) ou entrando no site: AceleraTexto.com.br, e se colocar na lida de produzir textos e espalhar as suas ideias. Seja através da internet, seja através das redes sociais, seja através da velha e boa carta.

Fernanda – Isso!

Rádio Brasil Atual – Eu quero agradecer a participação da Fernanda Pompeu, educadora online de redação e de português. Ela falou com a gente sobre o ofício de escrever e sobre o ofício de se comunicar na língua portuguesa. Fernanda, eu te agradeço de verdade a tua participação. Um forte abraço. 

Fernanda – Obrigada. Eu agradeço você. Agradeço a todo mundo que ficou aí ouvindo. Isso aí, vamos em frente.

Entrevistador: Rafael Garcia.

Transcrição do áudio: Lucíola Pompeu.

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