Entre foco e distração, o ponto bom


Alterne foco e distração

Ilustração: Fernando Carvall
Ilustração: Fernando Carvall

Existe um ponto de equilíbrio entre o foco e a distração. Você já deve ter ouvido centenas de opiniões afirmando que o importante é ter foco para alcançar objetivos, conquistar espaços, consolidar sua reputação. É verdade.

Ter foco economiza tempo e recursos. É a menor distância entre a ideia e a realização. Mas também já provei e comprovei, várias vezes, a relevância da distração.

Estar distraída me levou a surpresas e insights também valiosos. Que, por seu turno, me levaram a boas ideias. Aprendi mais sobre escrever lendo biografias de pintores do que de escritores

Você também conhece a história da floresta e das árvores. Alguém sábio deve ter advertido:
Foque na árvore, mas não esqueça de ver a floresta.
Ou o contrário:
Abra a visão para a floresta, mas não deixe de observar a árvore.

No fundo focar na árvore ou se distrair com a floresta levam ao mesmo resultado. O que muda é a porta de entrada. Há diferentes portas de entrada para o corredor que nos conduzirá à sala das ideias. Das boas ideias, é claro.

O que é uma boa ideia? Aquela que dá para fazer.

Em algum momento da vida, você se perguntou serei generalista ou especialista? Procuro um clínico geral ou um neurologista? No meu caso de redatora, me atenho ao texto ou ao contexto? Trabalho um estilo ou fico sem estilo? Faço um textão ou um texto curto?

Creio que a melhor resposta à pergunta: Ser focado ou distraído?
Começará com um Depende.

Há momentos para ser focado e enfiar a cara no problema, outros para ser distraído e ouvir estrelas no céu. Quando quero descansar, a árvore é a minha casa. Quando quero me aventurar é a floresta quem interessa.

Na conversa da mesa do bar, ser generalista é todo o encanto. Aquela pessoa popular que conhece 3 minutos de cada assunto. Aquela que não deixa a peteca cair e o incômodo silêncio rolar.

Já numa conversa de trabalho, mostrar-se especialista – e portanto com competências e habilidades definidas – pode garantir a oportunidade. Especialistas são mais focados. Generalistas – por natureza – mais distraídos.

Acho que o ganho real é não dar tanta bola para as definições que se oferecem para nos autodefinir. Se alguém pergunta se sou focada, respondo:
Depende do propósito.
Se sou distraída?
Depende da situação.

Mas se insistirem muito por uma resposta única, prefiro dizer que sou um liquidificador. Ponho dentro dele: árvore, floresta, texto, contexto, números, estrelas e muita água. Depois, aperto o botão.

Leia também Como eu me inspiro

Gostou? Compartilhe

Compartilhe

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *