Dicas de redação pra ser simples


O simples é genial

Foto: Fernanda Pompeu
Foto: Fernanda Pompeu

Antes da leitura, um aviso: dicas de redação são só dicas. Não são versículos bíblicos, nem artigos da Constituição. No fundo, dicas são frutos da observação do próprio trabalho. O legal é ler dicas – sobre qualquer assunto – no nosso caso de redação – e aproveitá-las do seu jeito. Adaptá-las ao seu propósito ao escrever.

Qual o objetivo da expressão escrita? Difundir com clareza uma mensagem. Dar o recado sem confusão. Dizendo em um só verbo: comunicar. Pode ser um poema, um memorando, um romance, um e-mail, um post. Apesar das particularidades de cada gênero, há um desejo recorrente: Chegar ao coração e à cabeça do leitor.

Complicado? Depende. Se escrevermos de forma difícil ou truncada, embarcaremos em uma viagem penosa. O leitor se cansará e provavelmente nos abandonará. Nosso texto, fruto do trabalho, merece trilhar um caminho mais eficiente: o da simplicidade.

É claro que não é simples escrever simples.
Mas existem dicas que ajudam a tornar mais segura a redação, veja algumas delas:

Pense antes, escreva depois
O ideal é rascunhar – mesmo que na cabeça – os nexos da mensagem, desenhando em traços gerais o começo e o fim. O meio em geral, por ser o meio, aparece no meio do trabalho mesmo. Quando fazemos o desenho mental do texto, as palavras fluem com mais facilidade na tela ou telinha. Pensar antes de redigir ajuda a nos manter no foco do assunto. Quanto mais preciso for o foco, mais comunicativa será a mensagem. Mesmo porque somos mestres em nos perder pelos caminhos. Na vida, pode até ser bom. Mas quando redigimos é bem ruim.

Evite as repetições
Para o leitor é desagradável topar com palavras e estruturas repetidas em um espaço curto de tempo. As reiterações viram catracas e atrapalham a fluência do texto. Repetições podem tornar a leitura monótona. Você pode usá-las, mas é preciso ter plena consciência quando for repetir palavras. A língua portuguesa tem milhares de palavras, procure por sinônimos. Quanto mais variado for o texto, mais sabor ele terá.

Fuja da pompa
Não caia na tentação de escrever “difícil” para impressionar o destinatário da mensagem. E muito menos para se exibir frente aos pares. Via de regra, o texto difícil acaba espantando o leitor e chateando os amigos. Mantenha distância do rocambole verbal: tente entrar diretamente no assunto. Corra de expressões inúteis: A nível de, no sentido de etc. Afaste-se dos clichês: Venho por meio desta, sem mais para o momento etc.

Fuja da banalização
Escrever de forma simples não quer dizer escrever com desleixo. Ao contrário, a simplicidade exige etiqueta verbal. Não use gírias de geração ou jargões de profissão, pois apenas alguns leitores entenderão. Não lance mão de palavras grosseiras. A boa educação e a generosidade também aparecem na hora de escolher os vocábulos.

Releia o que escreveu
Quanto mais tempo gastarmos para escrever, menos tempo o destinatário gastará para ler. Simples assim. Não importa se você redigiu um e-mail curtinho ou um artigo extenso. Acabou de escrever? Vai postar? Releia. Procure pelos erros, eles adoram se esconder nas dobras das frases. Apareceu a dúvida? Consulte a pessoa ao lado ou recorra ao dicionário.

Acredite em você. Exponha-se
Ninguém precisa ser Clarice Lispector ou  Machado de Assis para escrever. Ninguém precisa ser campeão de likes e compartilhamentos para publicar no blog ou nas redes sociais. Nosso texto não tem obrigação de ser genial. Precisa só funcionar. Texto eficaz é aquele que comunica sem complicações. Aquele que dá o recado com simplicidade.

A dica das dicas de redação
Escrever é uma atitude criativa. Aqui não importa o gênero. Por exemplo, textos acadêmicos precisam ser escritos dentro de regras muito claras. Mas eles podem (e devem) ter uma escrita criativa. Nesse caso, é a tal sustentável leveza. Nas redes sociais, em geral, a escrita é mais solta, informal, direta. Mas ela pode (e deve) ser pensada anteriormente. Leve e profundo não são antônimos.

Fecho com uma dica de redação do escritor inglês Martin Amis: “Escrever é uma rua de mão dupla, o que acontece na outra pista é a leitura”.

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