Arte: Silvana Afram
Arte: Silvana Afram
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Last updated on setembro 8th, 2019 at 09:31 am

Fazer o roteiro para o vídeo 7 MITOS DA ESCRITA em vídeo e texto foi um prazer. Sou escritora faz quatro décadas. Vivi alguns desses 7 Mitos na tinta de sucessivas canetas e nas teclas de vários computadores. Um dia me libertei.

ASSISTA AO VÍDEO

Este vídeo faz parte do Canal Acelera Texto no YouTube. Captação, direção, edição da Silvana Afram, vinheta sonora da Cynthia Gusmão. O conteúdo inédito foi escrito e apresentado pela Fernanda Pompeu.

Se preferir ouvir o conteúdo, clique AQUI

LEIA O CONTEÚDO DO VÍDEO 

1
Dom 

Este é o primeiro mito e bem forte: o mito da dádiva divina ou da inscrição no DNA. A ideia de que ser redator vem de um dom.

Escritores nascem para escrever. Sinceramente? Eu não acredito nisso.

Eu acredito em influências familiares e escolares, ambientes que favoreçam, oportunidades para o desenvolvimento da escrita. Muita leitura também.

Em princípio, qualquer pessoa alfabetizada pode vir a ser tornar uma redatora. Assim, fácil? É claro que não. Escrever é difícil e absurdamente trabalhoso.

Mas se você se entregar ao papel ou à telinha, você irá conseguir!

Como quase tudo na vida, escrever é uma questão de treino, treino, treino. E de não desanimar quando um chato falar: Você não vai conseguir porque não nasceu com o dom.

Não precisa ter dom. Precisa treinar muito. Não ter medo de errar e acreditar na sua pena, no seu teclado. Talvez, o Dom se traduza em ser humilde e determinado ao mesmo tempo.

2
Inspiração 

Inspiração é sempre bem-vinda. Todo redator já experimentou o “estado inspirado” – que é uma excitação, espécie da antessala da felicidade. É mesmo impagável quando nossos dedos viram asas no teclado. E as palavras voam.

Porém, a inspiração não aparece sempre. Temos a vontade ou a necessidade da escrita, mas a inspiração não dá as caras.

Aí faz o quê? Aí trabalha, né? Encara o papel ou a telinha com teimosa determinação. Com inspiração ou sem inspiração.

Sem inspiração, o trabalho é mais árduo, mais demorado. Mas ele alcança o resultado. O ponto final.

Carlos Drummond de Andrade, poeta de primeira grandeza, definiu a escrita como ofício diário e contínuo no poema O Lutador: Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã.

3
Maldição

Há também o mito que escrever é torturante, dilacerante, sofrido. É uma herança do romantismo que consagrou o escritor atormentando, tuberculoso, frustrado.

Não que a escola romântica não tenha deixado grandes obras. Deixou, por exemplo: Minha terra tem palmeiras onde cantam os sabiás. As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá. Salve, Gonçalves Dias.

Mas o romantismo, nascido no século 18 e que continuou pelo 19, passou. No entanto, algumas heranças persistem em forma de mitos.

Mas, cá para nós, somos seres do século 20 e 21. Escrever não precisa ser torturante, dilacerante nem sofrido. Ninguém precisa esgoelar a alma para redigir.

A gente pode e deve escrever com alegria. Se trabalharmos com alegria, a leitora ou o leitor também lerá com alegria.

Liberte seu ofício da idealização. Concretize seu texto. Torne-se contemporâneo. Sintonize suas mensagens com tom da nossa época. Sem bênçãos e sem maldições.

4
Fortes Emoções

Somos seres emocionados, é verdade. Mas tem gente que diz que só escreve sob forte emoção. Alegre ou triste. Por exemplo, quando está apaixonado ou quando está de luto.

O problema é que o redator que pensa assim escreverá muito pouco. Porque a gente não está o tempo todo sob paixão e felizmente não estamos de luto sempre

Daí a forte emoção como gatilho para escrever é um mito. É melhor trocá-la pela disciplina, por exemplo. A disciplina ajudará você a escrever mesmo em dias corriqueiros e até tediosos.

Começar, continuar e concluir o seu texto é a forte emoção.

5
Perfeição

Tem gente que recém-começou a escrever e já sonha em ganhar o Prêmio Nobel de Literatura ou um grande prêmio de não ficção. Mas devagar com o andor que as palavras são de barro. Se você for uma redatora ou um redator obsessivo com a perfeição, você está no caminho de desistir.

A perfeição pode ser sonho, meta, objetivo. Mas acredite: a perfeição está anos luz do ofício diário da redação. Mais prudente e produtivo é a gente se dedicar a escrever um texto correto e comunicativo.

E por que não? Gracioso e elegante. Graça e elegância são vitórias imensas. As conquistamos com horas e horas de caneta ou de teclado.

Esqueça a história de redigir textos perfeitos. A perfeição é uma idealização. Idealização é como Papai Noel, não existe. Pior, a idealização tende a nos desanimar.

O ânimo é o combustível para redigir com constância.

6
Exposição

É fato. Escrever é botar a cara – a página – para bater. Palavras formam ideias, imagens. Elas serão aceitas ou questionadas. Mas a sua cara não vai só apanhar. Você também vai receber beijinhos.

Nenhum redator agrada todo o mundo. Isso não existe. É claro que devemos tentar agradar o maior número de leitores possível. Mas nosso texto sempre encontrará admiradores, indiferentes e detratores.
Ninguém escapa disso.

Então publicar no impresso ou postar nos blogs e redes sociais é um ato de coragem. Mas também um baita desafio que dá um baita de um prazer.

Perca o medo e ponha sua escrita no ar. Com o tempo, você aprenderá a conviver com as críticas. Elas sempre vêm. Algumas críticas dirão que sua escrita é adolescente, muito feminina, emocional ou fria. Cerebral demais ou superficial.

Mas lembre-se nenhuma crítica é poderosa o bastante para secar a tinta da caneta ou apagar nosso teclado. Vá em frente.

7
TALENTO

Acho que todo mundo que começa a redigir e mesmo quem já redige há muito tempo, faz uma pergunta íntima – e um tanto incômoda: SERÁ QUE EU TENHO TALENTO? Trocando em miúdos: será que o que eu escrevo é bom o suficiente?

Com modéstia ou sem modéstia, eu nunca me faço essas perguntas. Porque eu creio, veementemente, que quem decide se a gente tem talento ou não, se somos bons o suficiente, são os leitores. Quem vai responder isso é a sua leitora e o seu leitor.

Então eu sempre encorajo quem está com vontade de postar. Digo: ponha seus textos no ar e veja o que acontece. Mas não é só postar um ou dois textos e apenas de vez em quando. Você tem que jogar o jogo.

É preciso paciência, não pequena, mas chinesa para mensurar a acolhida, a aderência dos leitores a sua escrita. Mensurar o quanto ela cresce à medida que você produz.

Primeiro: o leitor tem que encontrar você. Segundo: ele tem que encontrar você muitas vezes. Terceiro: ele irá decidir se curte ou não curte o seu trabalho.

Toda autora ou autor, na internet, é um autor à procura de seus leitores. Você não terá todos os leitores. Você terá os seus leitores. Trate-os bem. Responda aos comentários e as suas perguntas. Agradeça os compartilhamentos.

O encontro entre redator e leitor é um encontro raro. Um encontro de afeto. Ouça-os para melhorar sempre a sua escrita. Talento não é o sucesso. Talento é o progresso.

É isso. Por enquanto.
Se você tem outro mito da escrita para sugerir, escreva-o nos comentários, aqui embaixo no YouTube. Se curtiu dá aquele like e se inscreva no nosso canal.
Abraço.


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