7 MITOS DA ESCRITA em vídeo e texto


Liberdade e Coragem

Arte: Silvana Afram
Arte: Silvana Afram

Fazer o roteiro para o vídeo 7 MITOS DA ESCRITA em vídeo e texto foi um prazer. Sou escritora faz quatro décadas. Vivi alguns desses 7 Mitos na tinta de sucessivas canetas e nas teclas de vários computadores. Um dia me libertei.

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Este vídeo faz parte do Canal Acelera Texto no YouTube. Captação, direção, edição da Silvana Afram, vinheta sonora da Cynthia Gusmão. O conteúdo inédito foi escrito e apresentado pela Fernanda Pompeu.

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Aqui é o Canal Acelera Texto de Vídeos – um canal de cursos de redação e português para todos. Neste vídeo nosso assunto são o 7 Mitos da Escrita, que ora nos ajudam, ora nos prejudicam. Eu sou a Fernanda Pompeu.

1
Dom 

Este é o primeiro mito e bem forte: o mito da dádiva divina ou da inscrição no DNA. A ideia de que ser redator vem de um dom.

Escritores nascem para escrever. Sinceramente? Eu não acredito nisso.

Eu acredito em influências familiares e escolares, ambientes que favoreçam, oportunidades para o desenvolvimento da escrita. Muita leitura também.

Em princípio, qualquer pessoa alfabetizada pode vir a ser tornar uma redatora. Assim, fácil? É claro que não. Escrever é difícil e absurdamente trabalhoso.

Mas se você se entregar ao papel ou à telinha, você irá conseguir!

Como quase tudo na vida, escrever é uma questão de treino, treino, treino. E de não desanimar quando um chato falar: Você não vai conseguir porque não nasceu com o dom.

Não precisa ter dom. Precisa treinar muito. Não ter medo de errar e acreditar na sua pena, no seu teclado. Talvez, o Dom se traduza em ser humilde e determinado ao mesmo tempo.

2
Inspiração 

Inspiração é sempre bem-vinda. Todo redator já experimentou o “estado inspirado” – que é uma excitação, espécie da antessala da felicidade. É mesmo impagável quando nossos dedos viram asas no teclado. E as palavras voam.

Porém, a inspiração não aparece sempre. Temos a vontade ou a necessidade da escrita, mas a inspiração não dá as caras.

Aí faz o quê? Aí trabalha, né? Encara o papel ou a telinha com teimosa determinação. Com inspiração ou sem inspiração.

Sem inspiração, o trabalho é mais árduo, mais demorado. Mas ele alcança o resultado. O ponto final.

Carlos Drummond de Andrade, poeta de primeira grandeza, definiu a escrita como ofício diário e contínuo no poema O Lutador: Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã.

3
Maldição

Há também o mito que escrever é torturante, dilacerante, sofrido. É uma herança do romantismo que consagrou o escritor atormentando, tuberculoso, frustrado.

Não que a escola romântica não tenha deixado grandes obras. Deixou, por exemplo: Minha terra tem palmeiras onde cantam os sabiás. As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá. Salve, Gonçalves Dias.

Mas o romantismo, nascido no século 18 e que continuou pelo 19, passou. No entanto, algumas heranças persistem em forma de mitos.

Mas, cá para nós, somos seres do século 20 e 21. Escrever não precisa ser torturante, dilacerante nem sofrido. Ninguém precisa esgoelar a alma para redigir.

A gente pode e deve escrever com alegria. Se trabalharmos com alegria, a leitora ou o leitor também lerá com alegria.

Liberte seu ofício da idealização. Concretize seu texto. Torne-se contemporâneo. Sintonize suas mensagens com tom da nossa época. Sem bênçãos e sem maldições.

4
Fortes Emoções

Somos seres emocionados, é verdade. Mas tem gente que diz que só escreve sob forte emoção. Alegre ou triste. Por exemplo, quando está apaixonado ou quando está de luto.

O problema é que o redator que pensa assim escreverá muito pouco. Porque a gente não está o tempo todo sob paixão e felizmente não estamos de luto sempre

Daí a forte emoção como gatilho para escrever é um mito. É melhor trocá-la pela disciplina, por exemplo. A disciplina ajudará você a escrever mesmo em dias corriqueiros e até tediosos.

Começar, continuar e concluir o seu texto é a forte emoção.

5
Perfeição

Tem gente que recém-começou a escrever e já sonha em ganhar o Prêmio Nobel de Literatura ou um grande prêmio de não ficção. Mas devagar com o andor que as palavras são de barro. Se você for uma redatora ou um redator obsessivo com a perfeição, você está no caminho de desistir.

A perfeição pode ser sonho, meta, objetivo. Mas acredite: a perfeição está anos luz do ofício diário da redação. Mais prudente e produtivo é a gente se dedicar a escrever um texto correto e comunicativo.

E por que não? Gracioso e elegante. Graça e elegância são vitórias imensas. As conquistamos com horas e horas de caneta ou de teclado.

Esqueça a história de redigir textos perfeitos. A perfeição é uma idealização. Idealização é como Papai Noel, não existe. Pior, a idealização tende a nos desanimar.

O ânimo é o combustível para redigir com constância.

6
Exposição

É fato. Escrever é botar a cara – a página – para bater. Palavras formam ideias, imagens. Elas serão aceitas ou questionadas. Mas a sua cara não vai só apanhar. Você também vai receber beijinhos.

Nenhum redator agrada todo o mundo. Isso não existe. É claro que devemos tentar agradar o maior número de leitores possível. Mas nosso texto sempre encontrará admiradores, indiferentes e detratores.
Ninguém escapa disso.

Então publicar no impresso ou postar nos blogs e redes sociais é um ato de coragem. Mas também um baita desafio que dá um baita de um prazer.

Perca o medo e ponha sua escrita no ar. Com o tempo, você aprenderá a conviver com as críticas. Elas sempre vêm. Algumas críticas dirão que sua escrita é adolescente, muito feminina, emocional ou fria. Cerebral demais ou superficial.

Mas lembre-se nenhuma crítica é poderosa o bastante para secar a tinta da caneta ou apagar nosso teclado. Vá em frente.

7
TALENTO

Acho que todo mundo que começa a redigir e mesmo quem já redige há muito tempo, faz uma pergunta íntima – e um tanto incômoda: SERÁ QUE EU TENHO TALENTO? Trocando em miúdos: será que o que eu escrevo é bom o suficiente?

Com modéstia ou sem modéstia, eu nunca me faço essas perguntas. Porque eu creio, veementemente, que quem decide se a gente tem talento ou não, se somos bons o suficiente, são os leitores. Quem vai responder isso é a sua leitora e o seu leitor.

Então eu sempre encorajo quem está com vontade de postar. Digo: ponha seus textos no ar e veja o que acontece. Mas não é só postar um ou dois textos e apenas de vez em quando. Você tem que jogar o jogo.

É preciso paciência, não pequena, mas chinesa para mensurar a acolhida, a aderência dos leitores a sua escrita. Mensurar o quanto ela cresce à medida que você produz.

Primeiro: o leitor tem que encontrar você. Segundo: ele tem que encontrar você muitas vezes. Terceiro: ele irá decidir se curte ou não curte o seu trabalho.

Toda autora ou autor, na internet, é um autor à procura de seus leitores. Você não terá todos os leitores. Você terá os seus leitores. Trate-os bem. Responda aos comentários e as suas perguntas. Agradeça os compartilhamentos.

O encontro entre redator e leitor é um encontro raro. Um encontro de afeto. Ouça-os para melhorar sempre a sua escrita. Talento não é o sucesso. Talento é o progresso.

É isso. Por enquanto.
Se você tem outro mito da escrita para sugerir, escreva-o nos comentários, aqui embaixo no YouTube. Se curtiu dá aquele like e se inscreva no nosso canal.
Abraço.

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